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segunda-feira, setembro 05, 2016

Mulher

Quando você nasce mulher você não pensa: - Isso eu posso ou isso não posso porque sou mulher. Você simplesmente é. Nasce sem rótulos, sem julgamentos. Tenho um pai que nunca me disse o que eu podia ou não fazer por causa do meu sexo. Sempre fui filha, independente de qualquer coisa. Nos últimos tempos tenho estado atenta e percebido algumas coisas, essas semanas que passaram com a pintura da loja, um rapaz entrou e nos parabenizou pela pintura, o Paulo logo disse que a pintura era minha, que ele tinha ajudado... o Rapaz sem graça, ficou surpreso e falou: - É mesmo!? Parabéns viu...
Aqui tem muito isso: - coisas de homens, coisas de mulheres.
Pintar é coisa de homem? as pessoas se surpreendem quando vêem uma mulher fazendo determinada coisa... Muito triste. Fiquei pensando em escrever como eu me sentia cada vez que isso acontecia, como é triste pensar que as pessoas não se policiam para que isso mude, porque? Fiquei pensando sobre o quanto o fato de eu ser mulher me dá força pra que querer mais ainda fazer as coisas darem certo, ou fazer as coisas bem feitas, mostrar que o meu sexo não vai me rotular, não vai me podar.
Quase a minha vida inteira fui rotulada por ser quieta, por ser "estranha", por ser tímida, por ser magra, por seu eu... ser mulher pra mim é uma dádiva, eu vejo nas que vieram antes de mim e lutaram por tantas coisas, e sofreram tanto, inspiração para fazer o "impossível", aquilo que só os homens podem fazer como sentar com a perna aberta sem se preocupar com o que estão achando...


Triste como a cada dia me sinto mais e mais estrangeira no país em que eu nasci.


quinta-feira, março 17, 2016

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Meu pai vendeu a casa do Ipê. Como eu me senti e como me sinto? Desde que tenho uns 15 anos queria mudar de lá, sempre muito longe, sempre com esperanças de demorar menos pra chegar em casa, de não ter tanto medo de sair e de voltar. Minhas avós se foram, meu avô, meu pai nunca quis vender, falava ás vezes em ir pra Mogi, pra Bahia, pra Penha, mas sempre em um futuro tão distante que a esperança de sair de lá foi acabando e se eu quisesse sair, teria que ser sozinha ou casada. Sai de lá para Dublin, quando voltei, avisei meu pai de que não voltaria pra lá, não por eles, por causa do espaço, por causa do lugar, porque precisava de um lugar com espaço pra minha solidão, eu preciso disso. Voltei.Casei. E aqui estou. Morando perto deles mas em um lugar que consigo ás vezes ficar quieta, sem ouvir, sem falar, só.
Hoje me sinto feliz e triste, queria ter saído há mais tempo de lá, ao mesmo tempo vivi minha vida toda ali, com meus pais, meus irmãos, meus bichinhos. Lá ficaram todos eles. O Frank e o Nene não. Sei que meu pai não teve escolha, teve que sair, aconteceu tanta coisa ruim, descobrimos tantas coisas que talvez fosse melhor não ter descoberto nunca, dói  e até hoje me sinto traída, enganada, enfim... mundo real, não o mundo idealizado e ingênuo que construí a vida inteira em minha cabeça. De uns cinco anos pra cá a vida tem me apresentado a vida como ela é. Eu continuo ingênua e sem acreditar no que é apresentado e continuo com vontade de ir embora e ter o mínimo de relações possíveis para me machucar menos com as atitudes das pessoas. A casa foi vendida. Não sei quando terei coragem de pegar o carro e passar por ali de novo e ver o que aconteceu com o lugar em que vivi minha vida toda. Espero que quem comprou faça bom uso e transforme em um lugar bonito, cheio de luz e coisas lindas. A vida é cheia de mudanças, cheia de rodeios, de nuances. Infelizmente as lembranças mais vivas não são muito boas, mas passamos bons momentos ali, principalmente quando éramos só nós...

segunda-feira, abril 06, 2015

Um livro de crônicas mal escritas

"Um dia quando eu era pequena quis escrever um livro, sempre fui eu, só que menor e com muitos, muitos defeitos, tenho me aberto para rever algumas coisas que gostaria de modificar em mim, de melhorar, mesmo assim, na essência, sempre fui eu. Lembro de um caderno amarelo de brochura, capa dura, ali eu desenhava, fazia algumas histórias em quadrinhos, arrancava as folhas que achava feias e imaginava que seria escritora, daquelas que escrevem livros e desenham também. Desistia, via que era péssima, não era caprichosa, as folhas eram todas marcadas, a borracha não apagava direito e eu sofria com minha falta de jeito. A minha vida parece um lençol feito de retalhos, tudo com uma ligação, com um fim, com pequenos encaixes e harmonia, como acreditar que isso seria possível fora dos livros? impossível. Um livro de crônicas mal escritas. Pensar em Paris e de repente um dia estar em Paris, não querer ser Professora e no outro dia sendo Professora da matéria que você mais amava na escola. Querendo ser luz e ser alimentada de trevas e no outro dia iluminando os seus sonhos e vivendo da luta de realizá-los."


"Uma menina de cabelo cinza e pássaros que a levam pra longe.
A realidade muitas vezes é dura demais para quem tem o coração tão azul."

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Leve como o peso da Bailarina

Eu não tenho paciência para dramas, eu não tenho paciência para novelas. Eu quero a simplicidade de tudo. Da vida, do amor, do meus traços, das cores, de mim.
Prefiro ser sozinha do que estar entrelaçada em linhas que não são minhas.
Me equilibro, me busco e me acho na minha solidão.
Eu sinto muito e por sentir assim, eu sofro, sou capaz de me punir por não ser o que esperam de mim. A minha salvação é o afastamento, não sou o que esperam, mudar tanto assim me fere e não posso com isso, então vou embora, essa é a minha defesa, estar só.
Ninguém sabe de mim.
A vida é assim, quando você percebe isso, tudo pode parecer pesado mas é leve...
Leve como o peso da bailarina.





segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Como a bailarina



Hoje  desenhei bailarinas...várias, fechei os olhos de todas elas, são livres, dançando, flutuando...

E eu querendo ser como elas: leve, solta, cheia de luz e sem mágoas pequenas ou grandes.








segunda-feira, janeiro 26, 2015

Das minhas profundezas.

Eu poderia gritar o mais alto que conseguisse.
Gritar para soltar a tristeza que fica cada vez que a vejo assim.
Poderia esquecer de ir aí, arrumar compromissos, tentar viver a minha vida de filha omissa.
Não ir almoçar, não ir jantar, não ligar. Sumir.
Seria mais fácil sumir e gritar.
Mas aceito com resignação que eu tinha que ser eu.
Eu das profundezas de ser eu mesma.
Eu que vejo você cada dia mais fraca e triste,
Eu que vejo você cada dia menos você.
Você que esquece as coisas e que tem mais medos do que todos nós juntos, e quem dera eu pudesse fazer dos seus medos os meus. Eu os pegaria e colocaria lá longe onde coloco tudo que me tira os sonhos, que me entristece, que me faz sofrer.
Você que eu não consigo esquecer, não consigo colocar longe de mim.
Eu poderia gritar o mais alto que conseguisse.
E mesmo esse grito, o maior grito do mundo, seria baixo diante do que sinto.





sexta-feira, janeiro 23, 2015

Sorriu - fim.

Todos os dias eram iguais: ela ia buscar sonhos em páginas alheias, incapaz de encontrá-los em sua vida/página.
Entrava nas páginas das amigas, olhava, sonhava, ia para outra página e outra e outra... pulava de página em página. Queria saber quem eram aquelas pessoas, o que elas queriam, para onde iam?

Um dia bateu o olho nele. Que foto linda! Que sorriso! Quem é ele? Será que existe? Com quem ele anda? Onde ele vai? Viu cada mensagem, cada foto, viu a namorada dele, achou ela feia.

Saiu da página.
Desligou o computador e foi pra casa.

O namorado dela já esperava
no metrô, ela entrou no carro, olhou pra ele e pensou: - Estou com a pessoa certa.

Sorriu.

Fim.
Desenho da modelo Veronica Assis.