quinta-feira, dezembro 16, 2021


Passamos por um 2020 de pandemia. Muitas mortes. Caos. Um governo omisso e demoníaco. 

Finalizamos 2021 um pouco melhor. Pandemia quase controlada, muitas pessoas vacinadas, outras que ainda acreditam nesse louco. Enfim. Caos. 

Parei de escrever faz um tempo. Desenhando pouco, com tantas aulas fica impossível sobrar tempo para qualquer coisa. 

Épocas de poucos sonhos. Tempos sombrios. Abaixo a cabeça e no fundo só gostaria de tido uma clareza maior em alguns momentos da minha vida. Tomado outras decisões. Não sei muito bem o que pensar. Antes de começar a escrever as coisas todas estavam na minha cabeça, pedindo para serem escritas. Agora todas elas fugiram. 

Estou triste com a impotência do meu corpo. Triste por não entender algumas coisas e saber que talvez eu nunca entenda. Triste pela minha ignorância, pela minha ingenuidade. Pelos meus sonhos. Se eu parar, respirar fundo e pensar, verei (vejo) que nada faz sentido. Nada. Talvez se tudo fosse diferente também não teria feito sentido. 


Enfim. palavras em desordem como o meu cérebro e a minha alma. Mas agora eu sou bem adulta e nem pensar em acabar logo com isso consigo. É a resignação profunda. É o que tem que ser. A vida um dia após o outro, tudo saindo diferente do planejado. Deve ser uma "lição" ou algo assim. Algo que obrigatoriamente eu tenha que passar. 

segunda-feira, março 02, 2020

Depois de quase três anos...

Depois de quase três anos e volto a escrever aqui. Confesso que muita coisa aconteceu desde de maio de 2017, coisas boas e ruins. Parei de escrever por falta de tempo e de vontade. Tem horas que a vida parece um círculo, e passamos várias vezes pelos mesmo lugares/sentimentos. Aí cansei. Deixou de fazer sentido para mim. Não que agora faça. Continua não fazendo. Estou num momento em que nada parece fazer muito sentido, uma vida de faz de conta. A vida que se quer viver não é possível pois o mundo capitalista nos quer. O trabalho se torna algo pelo que você vive e morre e o restante? Nada faz sentido pois você só consegue fazer o que faz por dinheiro.

Enfim, uma visão meio pessimista não é? Não quero que pensem que estou amarga ou prestes a me suicidar. A minha visão é realista. Estou à procura de sentido. De respostas internas que só eu ou algo muito maior pode me trazer. Me sinto perdida.


segunda-feira, maio 29, 2017

A coisa quando não vem...

Faz um tempo que não escrevo aqui. Sinto vontade de escrever mas os dias acabam e eu me acabo. Deixo de fazer um monte de coisas que gostaria de fazer pra fazer as coisas que eu TENHO que fazer. Há um pouco mais de um mês fiz o meu último desenho, desde então tenho me debatido dentro de mim sem conseguir a glória da criação. Fiz o projeto de pintura para um bar, não deu certo e o projeto de pintura de uma biblioteca infantil (aprovado - falta começar), mesmo assim, a criação foi travada, sem alma, sem querer. Uma obrigação pungente. É como se eu tivesse em mim uma "crosta", algo grande me impedindo de criar e essa crosta só pode ser eu mesma, a que não consegue ver beleza nas coisas que anda vendo. Sinto falta de tanta coisa que me perco na saudade. Me sinto muitas vezes uma incompetente de não conseguir realizar as coisas que preciso realizar. As coisas estão truncadas. Eu estou truncada. Não existe nada de lindo no processo de criação. Ele é uma força da natureza, como se cria com as coisas como estão? sinto falta das tulipas, sinto falta da paz e da calma, sinto falta de sentir saudades e daquela liberdade de ser eu, acima de tudo. De andar sozinha pelas ruas, de ter um pouquinho de medo por estar sozinha e longe. Sinto falta da expectativa, da falta de planejamento, da descoberta de lugares novos, da falta de domínio do inglês. Do silêncio cheio de som. Tenho tanta coisa presa dentro de mim e não sei como tirar isso daqui.

quinta-feira, dezembro 29, 2016

2016 se vai.

2016 foi um ano cheio de altos e baixos. Não fui tantas vezes no Hospital das Clínicas, mesmo assim o olho da minha mãe não melhorou de vez, ela continua fraca devido a sua doença e eu continuo como posso, ajudando. Tem também a minha vida, foi um ano onde trabalhei bastante com a minha arte, fiz muitas encomendas, muitas vendas, teve o concurso do prato Spoleto, as aulas extras de arte.
Perdi meu Frank em março, no dia 09 de março. Perdi meu Neném no dia 25 de julho. 
Sempre com medo de perder mais. Em novembro de forma precoce perdi minha coordenadora, que pra mim era mais do que uma coordenadora, era alguém que eu admirava, alguém doce, cheia de vida, que de forma violenta foi tirada das nossas vidas e da vida de sua família. Dói pensar e ainda não acredito. Ontem recebi a notícia de que minha Nuala se foi. Minha querida host family na Irlanda. Esse ano não mandei a cartinha e o cartão de Natal pra ela. Tive encomendas até ontem e antes de saber ainda comentei que em janeiro mandaria a cartinha pra ela e para a Deabhla. Cheguei em casa e recebi a mensagem de que ela tinha partido, em paz, durante a manhã de ontem. Uma notícia horrível de se receber. Tão sábia, me ajudou tanto, era como se eu tive reencontrado um pouco das minhas avós nela. Lembro do que ela me falava sobre relacionamentos, sobre white lies (rs), lembro dela me chamando pra ver uma reportagem sobre a Amy Winehouse, ou quando veio o visitante, um gatinho que as vezes aparecia no quintal e como ela sabia que eu gostava de animais, ela me chamava pra ver. Lembro do medo que senti ao chegar naquela casa estranha e depois o medo que foi embora e eu que não queria nunca ter ido embora. Dela indo no banco me ajudar quando fui roubada ou me ajudando a arrumar trabalho no brechó. A melhor comida do mundo! Nuala tinha sido dona de um restaurante e foi casada com um Italiano, eu dizia que a comida Irish dela era a melhor do mundo e que eu tinha sorte. :) Pedi pra cair em uma casa que tivesse pets. Ela tinha o Bobby e o coelho. Ficou feliz quando contei que optei por uma casa com pets, Já sentia muitas saudades dela, tinha esperança de ir visitá-la, todos os anos ela dizia pra eu ir, nunca consegui com o preço do euro, com tanto trabalho, agora a tristeza é saber que ela não está mais lá. Mesmo assim me acho uma pessoa de sorte de ter tido a oportunidade de conviver com ela e de tantas vezes com o meu inglês torto ter conseguido entender e e fazer entendida por ela. 
Te amo Nuala. My Irish Gramma. Termino 2016 assim. Não tenho mais o que falar. Torço pra que 2017 não leve tantos tesouros meus, que me traga luz e força pra enfrentar a maturidade que tenho conquistado com os anos.
As coisas são como devem ser. Vou lutar sempre pelo o que eu acredito. 
Agradeço pela presença do meu marido, companheiro e amigo na minha vida, tem sempre me feito uma pessoa melhor, tenho aprendido muito com ele, agradeço meus pais, que do jeito deles estão sempre por perto e meus poucos e verdadeiros amigos, que sei que são luz em minha vida. 
Até 2017.