terça-feira, novembro 29, 2016

Desenhando - Time Lapse (Lapiseira e Nanquim)

segunda-feira, setembro 05, 2016

Mulher

Quando você nasce mulher você não pensa: - Isso eu posso ou isso não posso porque sou mulher. Você simplesmente é. Nasce sem rótulos, sem julgamentos. Tenho um pai que nunca me disse o que eu podia ou não fazer por causa do meu sexo. Sempre fui filha, independente de qualquer coisa. Nos últimos tempos tenho estado atenta e percebido algumas coisas, essas semanas que passaram com a pintura da loja, um rapaz entrou e nos parabenizou pela pintura, o Paulo logo disse que a pintura era minha, que ele tinha ajudado... o Rapaz sem graça, ficou surpreso e falou: - É mesmo!? Parabéns viu...
Aqui tem muito isso: - coisas de homens, coisas de mulheres.
Pintar é coisa de homem? as pessoas se surpreendem quando vêem uma mulher fazendo determinada coisa... Muito triste. Fiquei pensando em escrever como eu me sentia cada vez que isso acontecia, como é triste pensar que as pessoas não se policiam para que isso mude, porque? Fiquei pensando sobre o quanto o fato de eu ser mulher me dá força pra que querer mais ainda fazer as coisas darem certo, ou fazer as coisas bem feitas, mostrar que o meu sexo não vai me rotular, não vai me podar.
Quase a minha vida inteira fui rotulada por ser quieta, por ser "estranha", por ser tímida, por ser magra, por seu eu... ser mulher pra mim é uma dádiva, eu vejo nas que vieram antes de mim e lutaram por tantas coisas, e sofreram tanto, inspiração para fazer o "impossível", aquilo que só os homens podem fazer como sentar com a perna aberta sem se preocupar com o que estão achando...


Triste como a cada dia me sinto mais e mais estrangeira no país em que eu nasci.


terça-feira, agosto 02, 2016

Uma semana.

Hoje faz uma semana que meu menino se foi. Nada faz muito sentido, é como se eu estivesse em um filme e fosse personagem desse filme. Estou feliz, estou triste. Não deixo de pensar nele, ao mesmo tempo penso na idade que ele tinha e que uma hora iria acontecer. Sinto falta de tudo dele, ás vezes começo a chamar por ele, quando abro a porta penso que ele vai vir correndo me receber. É muito difícil. Choro sem querer quando eu lembro dele e de como tudo aconteceu, fico pensando o que eu poderia ter feito diferente pra ele ter mais tempo comigo e fico achando que não é justo ele ter partido assim.
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Ganhei o concurso do Spoleto e "mágica" é a palavra que melhor exprime como foi tudo, desde o momento da pintura do pratão gigante até agora. Eu não imaginava tanto apoio, pensava ter chances de ficar entre os seis, mas ganhar em primeiro lugar foi realmente um sonho, mesmo que eles não divulguem isso pois os seis ganhadores recebem os mesmos prêmios, foi uma vitória moral, eu sei dela, sei da luta e sei que nunca vou esquecer. Não se trata só de ganhar um concurso, se trata de uma vida toda, de abrir mão de um monte de coisas, de anos e anos de estudo, de mudar de caminho depois de já ter feito uma faculdade e ter visto que não era o que eu queria, se trata de sonhos, de alma, de não conseguir viver sem criar, de acreditar que apesar das dificuldades, eu não posso desistir e tenho que seguir acreditando que não faço só por mim, faço porque tenho que fazer, porque nasci pra isso, porque isso me faz viver, me faz querer viver e amar a vida e eu só pude amar a vida quando parei de negar o meu amor pela arte. Não é fácil escolher a arte, mesmo tendo ela dentro de mim, eu a neguei muito com medo de não conseguir me sustentar, com medo de ter que passar muitos anos da minha vida dando umas 40 aulas por semana (apesar de amar tb ser professora, é uma profissão  bem desgastante).  Alguma coisa dentro de mim em determinado momento começou a me dizer que eu não podia fazer outra coisa, que eu tinha que lutar, lutar, lutar e só assim eu conseguiria ser eu, a verdadeira eu e não aquela que queriam que eu fosse. Nesse tempo todo foram muitos os "nãos" que eu ouvi, "nãos" de galerias de artes, "nãos" de editoras de livros infantis, "nãos" de revistas, "nãos" de clientes ou pessoas "interessadas" que depois de todo um trabalho feito viam que não era bem isso que queriam... Todos essas negações estão me fortalecendo, dói, mas eu não posso me dar o luxo de parar, de chorar mais do que algumas horas ou uns dois dias... rs dói muito, mas me fortaleço. Eu sei quem eu sou, eu sei do meu potencial, depende de mim treinar e me esforçar cada vez mais pra ser melhor no que eu faço, uma hora as coisas acabam acontecendo como consequência do meu trabalho, do meu esforço. Fico feliz dos meus pais terem visto essa vitória, dos meus alunos, das pessoas que estão mais próximas de mim e me conhecem, sabem da minha história, de quem eu sou de verdade.
Obrigada a todos que me ajudaram!

Abaixo o link para o post do Spoleto, no facebook:
https://goo.gl/avmIv9 


Print de quando acabou a votação no dia 31/07




segunda-feira, agosto 01, 2016

O dia depois de ontem.

Foram dias intensos. Muita coisa pra fazer, trabalho, votação e a perda do meu gato Neném. Tudo junto e eu no meio de tudo isso, tendo que manter o foco, o engajamento, porque na minha fraqueza eu poderia cair e perder uma oportunidade de ter mais visibilidade e de ganhar o prêmio em dinheiro que vai me ajudar com alguns problemas que estou tendo. Não foi fácil, ficar pedindo votos, compartilhando, mandando inbox, whatsapp, acho que junto com a vitória, veio o título de "mais chata da timeline"... rs Mas deu certo. Os vinte pratos eram ótimos e acho que os seis que ganharam, foram os que se movimentaram mais nas redes sociais. Essa semana começam as aulas, 2 semestre. Ainda estou baqueada com a falta do meu Neném, ele está em todos os lugares, o silêncio que incomoda, a falta dele no sofá, na cama, batendo as unhas no piso de madeira, querendo subir no lavatório pra tomar sua água, miando alto pra me acordar e entrando na frente da TV pra chamar a atenção. Ele era o meu filhinho, o meu gatinho mais velho e o mais companheiro que tive em toda a minha vida. Perder ele e o Frank em tão curto espaço de tempo me deixou baqueada. Preciso trabalhar isso em mim. 
Vou me afastar um pouco do facebook, é uma rede social ótima para o lado profissional, mas detona o psicológico da gente. Eu prezo muito o meu psicológico, levei anos pra conseguir me levantar e formular pensamentos de apoio a mim mesma, levei anos pra começar a me entender, muito tempo de estudo, de auto-conhecimento pra colocar em risco por causa de algo tão abstrato. Vou entrar o mínimo possível. Foi lindo o apoio que eu recebi de muita gente que eu nem esperava, gente que se engajou pra me ajudar, gente que escreveu coisas lindas, eu só tenho a agradecer. Mas também tem o lado da hipocrisia e da demagogia, coisas que não consigo lidar muito bem, a arte pra mim é algo tão dentro de mim, tão presente, tão constante que não sei explicar. Deixa pra lá. 
Obrigada pelo o apoio de todos! 
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quarta-feira, julho 27, 2016

Um dia inteiro sem ele

Chegar em casa sem ele foi uma das dores mais fortes que já senti. Ele era muito presente, falava o tempo todo, queria atenção o tempo todo, era um companheiro, eu entendia cada miado, cada conversa. Recebia a gente na porta do apartamento, a gente ouvia as unhas dele batendo no piso de madeira vindo correndo. Eu não quero mais a casa de transporte que comprei pra ele em 2004. Era dele, só dele. Peguei o pote de comida, lavei e guardei. Os copos do banheiro eu tirei e deixei só os da Lolla. Não consigo olhar pro cantinho do sofá onde ele ficava, virei a luminária verde pro outro lado e de madrugada não fui no banheiro nenhuma vez, toda vez que eu ia, eu dava uma olhadinha nele dormindo no sofá, se tava tudo bem, geralmente ele me via e miava como que dizendo Oi, eu voltava pro quarto e ele voltava a dormir. Éramos assim desde sempre, ele sofreu muito com minha viagem e fico feliz que foi possível vivermos juntos nos últimos três anos, nunca senti ele mais feliz do que nesse período que esteve aqui. Ele ficava impaciente se dava a hora de eu acordar e eu não acordava, invadia o quarto miando, eu ficava brava com ele, na segunda ele bem debilitado, me viu a noite sentada na cama e pediu pra subir, não conseguiu pular, eu coloquei ele em cima e ele se deitou sobre o meu braço. De alguma forma eu sabia que tava perto dele ir, mas a negação ou a esperança, não sei, é o que mais pega nessa hora, eu pensava que íamos ao veterinário na terça, ele tomaria uma injeção e reagiria, ficaria mais uns meses com a gente e partiria dormindo, sem dor. Fui pro quarto cinco da manhã da segunda e cochilei, tive medo de não aguentar ver ele partindo, tava muito sofrimento pra nós dois, Paulo acordou às 6. Vi quando ele levantou mas continuei deitada, demorou uns dois minutos ele voltou pro quarto, eu perguntei se tinha acontecido já desesperada, ele disse que sim. Daí o Paulo disse que ele ainda tava vivo, tinha se escondido atrás do sofá, fui peguei ele nos braços, ele miou, um miado dolorido mas me reconheceu, abracei ele, beijei ele, tão magrinho, tão frágil, um fio de vida nos meus braços, me senti mãe, não sou mãe de gente, mas acho que a sensação que eu tive com ele ali nos meus braços foi de ser mãe. Ele me olhou, ele ainda estava ali. Corremos para o Veterinário. Eu sabia que teria que tomar a decisão que tomei, não tinha outra coisa pra fazer pelo meu menino. Hoje doeu fisicamente, tive tremores, tive um desconforto no peito, uma coisa ruim, uma vontade de gritar, de sumir, tudo junto, de ficar pequenina até desaparecer. Tá doendo muito. Cheguei a cogitar hoje de pegar um filhote de gato só pra não sentir o que eu estou sentindo, me enganar, me ocupar de tudo que não fosse lembrar os últimos dias, ou o que poderia ter feito de diferente. Estou dilacerada por dentro, meu coração tá vazio e pesado. Ás vezes a tristeza me faz querer desenhar, tem a série que eu fiz triste pelo Frank, agora eu não consigo nada, não quero desenhar, não quero ouvir música, só queria entender como num momento eu tenho meu gato como sempre eu tive e no outro ele sumiu da minha vida e tenho que aprender a viver sem ele.
Hoje cheguei do trabalho e fiquei na internet tentando conseguir votos para o concurso do Spoleto, só assim consegui me distrair e esquecer um pouco dessa dor.
Enfim, um dia de cada vez. Muito amor, nunca estamos preparados para perder o amor, ele tinha câncer, o Veterinário disse que o câncer estava estabilizado, foram os rins que mataram ele. Eu nunca pensei que ele fosse ir por causa dos rins. Eu sei que não tinha jeito que ele tava perto de completar 17 anos, que ele viveu muito, que foi feliz, nada, nada disso faz a minha dor diminuir.