terça-feira, maio 19, 2015

Uma pisada

Acho que todo mundo tem aquele momento em que uma "virada" é pedida. Não dá para viver sem isso, não dá para pensar em uma vida conformada, esperando que algo aconteça. A gente luta, luta, luta e quando vê não sai do lugar. Eu não quero viver pensando em dar aulas, dar aulas para mim tornou-se um martírio, não quero a rotina de pensar provas, de corrigir provas, de avaliar, etc. Quero viver, o meu viver é muito distante do "viver" dentro da escola, quando eu não acredito mais no que faço, começo a sofrer. Eu posso ser qualquer coisa, desde que eu acredite que seja. A rotina, a mesmice, o sistema escolar está me sufocando. O que eu procuro é tão maior que não cabe mais nessa realidade e aí que eu não sei mais o que fazer. Me sinto pequena na sala de aula, me sinto pequena na escola, eu sou tão maior do que isso, de como me sinto. Tenho tanta coisa dentro de mim, tantos sonhos, tantas realidades e ali eu sou tão pequena que poderia ser "pisada" por um sapato qualquer.

terça-feira, maio 05, 2015

Eu

Busquei em todas as folhas o seu nome, não encontrei. Olhei de novo. Calmamente e sem distrações, não encontrei. Pulei a folha, fechei o livro, desisti. Você não estava ali, nem ali e nem em lugar nenhum. Você não existe, nunca existiu. Eu com minha imaginação fértil te criei. Fiz cada detalhe de você e do seu corpo, suas palavras fui eu quem soprei, seu corte de cabelo, suas roupas, foi tudo eu.
Desacreditei quando vi os sinais, não era possível, justo eu que sempre fui tão esperta, tinha esquecido de esquecer. Fui seguindo, seguindo, sem olhar pra trás e quando vi, cadê você? Era eu. Eu com todos os meus mínimos defeitos, com todos os meus fios de cabelos de brancos, com todas as minhas pintas de sol. Era inteirinha eu. Fechei os olhos, olhei de novo: era eu. Passei a mão no espelho: era eu. Abri a boca, arregalei os olhos e era eu. Não tinha dúvidas, tudo era o tempo todo eu. 



segunda-feira, abril 06, 2015

Um livro de crônicas mal escritas

"Um dia quando eu era pequena quis escrever um livro, sempre fui eu, só que menor e com muitos, muitos defeitos, tenho me aberto para rever algumas coisas que gostaria de modificar em mim, de melhorar, mesmo assim, na essência, sempre fui eu. Lembro de um caderno amarelo de brochura, capa dura, ali eu desenhava, fazia algumas histórias em quadrinhos, arrancava as folhas que achava feias e imaginava que seria escritora, daquelas que escrevem livros e desenham também. Desistia, via que era péssima, não era caprichosa, as folhas eram todas marcadas, a borracha não apagava direito e eu sofria com minha falta de jeito. A minha vida parece um lençol feito de retalhos, tudo com uma ligação, com um fim, com pequenos encaixes e harmonia, como acreditar que isso seria possível fora dos livros? impossível. Um livro de crônicas mal escritas. Pensar em Paris e de repente um dia estar em Paris, não querer ser Professora e no outro dia sendo Professora da matéria que você mais amava na escola. Querendo ser luz e ser alimentada de trevas e no outro dia iluminando os seus sonhos e vivendo da luta de realizá-los."


"Uma menina de cabelo cinza e pássaros que a levam pra longe.
A realidade muitas vezes é dura demais para quem tem o coração tão azul."

quinta-feira, março 12, 2015

Sem nada

"Me arranquei de algumas pessoas, busquei em todos os lugares maneiras de não me arrancar, vi que isso só seria possível se eu não fosse eu, fosse outra pessoa. Me escolhi. Não consigo lutar para ser outra pessoa, assim para agradar, eu luto pelo meu melhor, sem pensar se vou agradar, se não vou - sai em busca dos meus sonhos, aqueles que guardei no pote de margarina."

Disse ela, cansada de tantos ardores, suores e falsos amores.

"Eu não tenho nada, sem nada eu sou livre e livre, feliz."


sábado, março 07, 2015

De alguns sonhos saem doces pensamentos...

Quando eu tinha 17 anos me disseram, assim, sem mais nem menos:
- Quem te disse que você tem talento? isso é coisa que colocaram na sua cabeça, quem disse que você sabe desenhar? Eu não lembro as palavras exatas, mas lembro que fiquei longos 03 anos sem desenhar, não conseguia, simplesmente passei a achar que realmente não era algo que eu queria e que sim, tinham colocado isso na minha cabeça. Falar isso para uma adolescente de 17, 18 anos é muito sério e tenho certeza de quem falou sequer lembra.Talvez eu precisasse daqueles anos para perceber que tinha essa vontade de criar dentro de mim e que não colocaram na minha cabeça. Minha infância e adolescência não foram fáceis, não é fácil estar longe do estereotipo de beleza, de comportamento, etc. Sempre fui sozinha. Achava isso ruim, não entendia bem como e porque eu era assim, achava que não gostavam de mim, que eu era chata, que tinha problemas mentais, psicológicos, tudo... rs Ás vezes acho que me tornei professora de artes para estar do outro lado, ao invés de jogar terra nos sonhos das crianças e dos jovens, fazê-los acreditar. Eu não fui um sucesso de criança, eu não fui uma adolescente inteligente, nem popular, nem bonita, eu não comecei sendo uma boa professora, era atrapalhada, desenho mal, eu me considero uma pessoa esforçada e eu sei que posso me esforçar ainda mais em tudo aquilo que acredito.