quinta-feira, dezembro 10, 2015

Exposição Livraria Cultura

Há 3 anos atrás fiquei sabendo que poderia ter uma exposição na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi. Tinha tanta coisa pra acontecer nesses anos, tinha a Copa do Mundo, eu tinha acabado de voltar ao Brasil e estava cheia de expectativas, cheia de saudades, sonhos, etc. Passaram-se 3 anos e muita coisa mudou, me conheço mais, me casei no papel com o Paulo (já era casada no coração), meu Dentes se foi, meu Nenen perdeu um olhinho, peguei a Lolla, Frank ficou doente, comecei a dar aula em outra escola, minha mãe ficou mais doente, um monte de gente que eu não esperava parou de falar comigo porque tive atitudes que eram diferentes do que esperavam de mim, fui julgada, condenada por pessoas que eu verdadeiramente amava, aprendi que as pessoas nunca vão estar felizes com quem você é de verdade porque elas não se preocupam com você, se preocupam só com suas próprias visões e julgam, julgam muito. Aprendi que por mais que você faça, sempre vão querer que você dê mais amostras de amor e que do amor não se pode cobrar provas, ele é, ele existe e assim é livre. Pedi desculpas sem ter errado, por amor. Me calei, sumi, trabalhei dia após dia minha tolerância, minha paciência, minha capacidade de perdoar, senti inveja, me puni, tive vergonha, sumi de novo, fui vítima de fofocas, me senti em uma novela das 8, nunca imaginei que tudo isso fosse acontecer comigo, sempre fui quieta, sempre tive poucos amigos, no momento, meus amigos são "mais poucos ainda"... rs Com o passar do tempo, tenho visto que posso contar com pouquíssimas pessoas, não me sinto sozinha por isso, talvez um pouco triste, mas acho que não nasci pra ser popular, já estou habituada desde muito nova a essa sensação. Essa exposição fecha um ciclo, estou agora numa fase de transição, de gestação para novos trabalhos, sinto dentro de mim uma vontade de continuar, mas um medo de iniciar algo novo, faz parte, sei que é assim e que preciso desse tempo.

Abaixo o link para um vídeo de divulgação da Galeria Cultura e alguns trabalhos que estão na exposição que fica até 30 de dezembro na Galeria Cultura (Livraria Cultura do Shopping Iguatemi)

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quarta-feira, novembro 18, 2015

O dia em nasci

Um dia parei pra pensar sobre o dia em que nasci. Podia dizer que nasci quando sai da barriga da minha mãe ou quando quase morri com alguns dias de vida por causa de intolerância ao leite materno. Pra mim o dia em que nasci foi quando tomei consciência de que eu era alguém e não somente um corpinho obediente de criança, foi quando eu percebi que eu era capaz de pensar e seguir os meus pensamentos e ter minhas próprias ideias, isso por volta dos 8 anos. Nunca fui de falar, nunca fui de reclamar, nunca fui de querer as coisas, eu era e o ser já era o bastante para mim. Eu nascia todos os dias um pouquinho. Eu nasci um dia quando minha vó Nininha ficou doente e foi internada, eu nasci quando meu pai operou da hérnia e eu não podia vê-lo e chorava como se não houvesse amanhã por causa disso, eu nasci quando minha mãe tinha crises renais e gemia de dor no quarto, eu nasci quando me contaram que eu teria um irmão, eu nasci quando minha vó foi pra Minas visitar os parentes e eu não entendia porque ela tinha me deixado, eu nasci quando eu descobri o que eram gatos e também foi essa a primeira vez que me apaixonei e continuo até hoje apaixonada, eu nasci quando recebi a notícia de que minha vó tinha morrido, depois nasci de novo quando minha outra vó morreu, eu nasci quando meu irmão se envolveu com drogas e deixou devastada a nossa família, eu nasci quando meu gato Vinícius sumiu, quando meu Dentes morreu, quando roubaram meu carro prata, quando eu levei o maior fora de todos os tempos, quando fui mandada embora, quando fui morar na Irlanda, quando voltei pro Brasil, eu nasci quando reencontrei o Paulo depois de tantos anos e ele sorria enquanto andava de patins. Eu nasço toda vez que termino um desenho, um quadro, quando dou minhas aulas e vejo admiração em alguns olhinhos. Eu nasço toda vez que olho pra minha Lolla, pro meu Nenem e pro meu Frank. O tempo todo estou nascendo e vivendo como se cada dia fosse o último dia e o primeiro.

terça-feira, julho 21, 2015

Reflexão de aniversário

Tem gente que ama fazer aniversário e tem gente como eu, rs que nunca adorou e que entra em crise muitas vezes, fazer aniversário para mim sempre foi dolorido, desde tempos remotos e isso não quer dizer que não precisa me dar parabéns ou fazer de conta que não sabe que estou fazendo aniversário, pelo contrário. Acho que a expectativa de não ter pessoas interessadas em mim e de repente um monte de gente falar e fazer festa, muda um pouco o clima do "fazer aniversário" e deixa tudo melhor. Esse ano deixei o facebook avisar as pessoas do dia 20/07 e incrivelmente, mais do que nos outros anos, recebi mensagens lindas e que não parecem ter sido automáticas, via inbox. Foi lindo, chorei várias vezes de emoção, foi um dia razoavelmente complicado, fui ao Hospital das Clínicas com minha mãe, teve a espera infinita em pé, porque não tem lugar direito nem para os pacientes, que dirá para os acompanhantes, mas levei o meu sketchbook, minhas canetas, sentei no chão e desenhei, foram formas orgânicas que para mim têm o poder de um livro para colorir, daqueles para adultos. Comecei a desenhar e o tempo passou rápido, não vi os diversos tipos de doenças e sofrimento que o lugar apresenta. Foi uma boa solução. Cheguei em casa e dormi. Dia de hospital é dia de acordar 4h30 para sair no máximo 5 horas, chegar lá 6 e 15 e ser atendida as 10 horas (otimismo sempre!), ontem tivemos a boa notícia de que o olho dela está recuperado da úlcera e das bactérias, foram dois meses de luta, preocupação, choros, brigas, etc. Eu sabia desde quando era criança, de que ser criança é a melhor coisa do mundo, eu nunca quis crescer, sabia que esse mundo dos adultos é uma chatice, nunca quis ser uma moça, nunca quis, queria ser menina pra sempre, menina, daquelas que fazem o que quer, que não se preocupa em sentar direito, que não precisa pentear o cabelo e gostava de soltar pipa ás vezes. Doeu crescer. Eu não sei lidar muito bem com as coisas que eu sinto, muitas vezes tenho vontade de me isolar das pessoas e isso não significa que estou triste ou com depressão, significa que preciso disso, que sou feliz sozinha, no silêncio, só comigo mesma. A sociedade não entende muito bem isso, sendo assim, guardo com carinho as pessoas que compreendem esse meu lado. Eu não sou a filha perfeita, eu tento ser melhor para ela, eu tento ter paciência, conhecer a doença dela para saber um pouco sobre o que ela sente, eu tento mas muitas vezes erro. Eu só quero saber que fiz o melhor que eu podia. Ontem receber a noticia de que o olho dela está melhor, foi o maior presente de aniversário que podia ter ganho.

Outro dia o Paulo me disse: - Você é excêntrica mesmo! rs decidiu, não vai atender telefone e o telefone, toca, toca e você não atende. risos

Dei risada. 
Obrigada a todas as mensagens de Feliz Aniversário. 
Abaixo está o desenho que fiz enquanto estava no Hospital das Clínicas.


terça-feira, julho 14, 2015

O grito

O ser humano é capaz de coisas tão belas e ao mesmo tempo tão horrendas. Sou muito reflexiva, penso, repenso, evito julgar comportamentos diferentes dos meus pois já sofri muito quando era julgada. Hoje cheguei em outro ponto. Criei uma casca que me protege do que acham de mim. Eu sei quem eu sou, as coisas que admiro, meus erros, toda a minha vida da infância até aqui me mantem com os pés no chão. Claro que sou humana, ás vezes caio no erro de tanta gente, e julgo, falo mais do que deveria, me arrependo. Se faço uma coisinha que acho que não deveria ter feito, sou humilde o suficiente para pedir perdão. Eu erro muito, o tempo todo, o tempo todo tento ser verdadeira, se derrapo é na tentativa de não magoar as pessoas que são importantes para mim e no fim, acabo magoando. Também sou magoada, lembro de tantas coisas que gostaria de esquecer, se vejo um pouco de amor em alguma atitude, meu coração amolece e pronto, as coisas começam a ficar bem, já se não vejo, meu coração vai ficando duro, duro até o dia que seca e nada sobra dessa mágoa. 
Penso na minha família, meus parentes, pessoas que eu tinha uma grande consideração e sem mais nem menos viraram a cara pra mim, eu não entendo, mesmo assim me calo, o meu silêncio é a resposta mais clara e humilde que posso dar. Nunca espere das pessoas. Meu coração é uma esponja, por onde passo vou amando e achando que sou amada. Quando vejo que não fui amada, que não sou amada, me viro do avesso pra entender e de repente lembro de algum escritor (a) que disse: "Viver ultrapassa qualquer entendimento" e sorrio. Não tenho o que falar, não tenho o que pensar, quero estar bem para quando eu for embora daqui eu vá feliz, sem muitos remorsos, sem tristezas crônicas. Não posso agradar ao mundo todo quando eu quero só ser eu mesma, livre, como sou feliz sendo. 
A liberdade é o meu preço.