quinta-feira, outubro 21, 2010

Saudades

Esse mês de outubro não está sendo muito bom, tirando o Aniversário de meu Pai, tivemos duas perdas, grandes perdas: dia 9 meu tio Lindauro faleceu, foi um choque. Meu tio era casado com minha Tia, irmã de meu pai, mas sempre foi meu tio de verdade, nunca o considerei um tio "postiço" como meus outros tios, maridos das minhas tias. Titio sempre foi doce, educado, atencioso comigo, parecia gostar de mim do jeito que sou, tímida, quieta, um pouco estranha. Isso nunca foi motivo para ele não falar comigo, ou me tratar diferente. Tenho tantas lembranças com ele, as idas ao Mappin, ao Romão, a piscina, o parque Trianon, a Amway. Tantas coisas. Vou sentir muitas saudades, saudades de todo o tempo que passei na casa dele, com minha tia e meus primos e saudades dele agora, nos natais, fins de ano, almoços, etc. Lembro da última vez que eu vi o Titio, foi qdo fui ver meus priminhos/sobrinhos gêmeos, filhos de minha prima, titio estava indo para a igreja, foi na sala e se despediu de mim dizendo que era melhor se despedir pq ele poderia chegar e eu já ter ido embora. Na verdade ainda não consigo acreditar e só de pensar no que meus Primos e minha Tia estão passando já dói ainda mais.
No dia 18, meu tio Vilazio faleceu, esteve internado por dois meses, depois de andar por vários hospitais e nenhum médico dar um diagnóstico certeiro. Estava com meningite. Titio era irmão de meu pai, era muito querido para mim, nem sei tb se ele sabia, mas acho que sim. A gente se entendia sem precisar de muitas palavras e muitas demonstrações, qdo vovó era viva eu ia lá, ele sempre tinha uma história de viagem para contar ou de algum bicho, gostava de falar de frutas, um dia quis que eu experimentasse kiwi, eu nunca tinha comido. Teve umas épocas que ele comprava pizzas aos domingos, lembro dele falando que tinha pizza de frango com catupiry. Lembro do tatu e do gambá que ele trouxe de uma de suas viagens. Ele tinha um caminhão, eu queria muito andar de caminhão, mas nunca teria coragem de falar, nunca fui de falar muito, um dia voltando da titia Ana, não sei o que houve e calhou dele estar com o caminhão passando por lá, viemos de caminhão, lembro da alegria... rs qdo tirei minha carteira de motorista ele veio aqui parou a "Bestinha azul" enfrente a minha casa e disse que era para eu dirigir. Nunca esqueci. Nunca. Fui visitar ele na casa dele, antes da última internação, foi tão bom, conversou comigo sobre a viagem que fez com a esposa para o Norte, disse que queria mudar para lá, que eu tinha que conhecer tudo aquilo. Tomamos café. Foi a última vez que eu o vi. É uma das lembranças mais doce que terei.

Estou triste. Muito triste. Nem queria escrever, pq tudo que escrevo ou falo parece pouco perto do que estou sentindo. Desse vazio de não entender nada, nada, de querer mudar coisas que não posso.


Semana passada fiz um desenho. Não tava com vontade, mas fiz mesmo assim para tentar esquecer um pouco as coisas.

3 comentários:

Rê Galvão disse...

Gi, só o tempo mesmo...aquilo que dizem sobre ele é a pura verdade!
O vazio vai sendo preenchido por boas lembranças e no final fica tudo bem. Força pra ti!

O desenho tá lindo!
Bju. Renata.

Anônimo disse...

Oi, querida... Escrever é sempre bom. Por mais que a gente ache que não consegue por tudo em palavras, ajuda.
Gostaria muito de estar mais perto de vc nestes momentos difíceis. Na verdade, ando longe... de tudo e todos.A correria me separa de muita gente que me faz falta... Quem sabe isso muda? Um bjo e nos falamos durante a semana.

Anônimo disse...

Você escreve muito bem. E as perdas são as maiores válvulas da sabedoria. Siga o teu caminho com está sabedoria que você já recebeu